Viagem de moto pelos Alpes: Stelvio, Grossglockner e os passes que definem um piloto
Lembro da primeira vez que ouvi falar do Stelvio. Era um vídeo num fórum antigo de motociclismo — qualidade ruim, câmera tremida, trilha sonora desnecessária. Mesmo assim, eu parei tudo pra assistir até o fim. Eram quarenta e oito curvas, uma atrás da outra, subindo na direção de 2.757 metros de altitude nos Alpes italianos. E havia algo naquilo que me fez pensar: um dia eu vou estar lá.
Esse dia veio. E o que eu não esperava era o silêncio. Não da estrada — a estrada nunca fica em silêncio nos Alpes. Era um silêncio interior. A impressão de que você chegou num lugar que é exatamente o que parecia ser.
Este post é sobre o que vem depois desse silêncio: o roteiro, o que o tour entrega na prática, quanto custa fazer isso sozinho versus com suporte e o que você precisa saber antes de colocar os Alpes no calendário.

O que são os Grandes Alpes — e por que é o tour mais técnico do calendário
Os Alpes se estendem por oito países europeus em arco de 1.200 km. O que chamamos de “Grandes Alpes” no contexto do tour UpSerra é uma seleção dos passes mais icônicos — aqueles que aparecem em toda lista séria de roteiros de moto na Europa: Grossglockner (Áustria), Stelvio (Itália), Furka e Grimsel (Suíça). São passes acima de 2.400 metros, com estradas projetadas especificamente para conexão de vales, não para velocidade. Isso significa curvas fechadas, gradientes de até 12%, e panoramas que competem com a atenção do piloto.
O tour cobre 5 países — Alemanha, Áustria, Itália, Suíça e França — em 10 dias de moto, 2.700 km, saindo e chegando em Munique. É o tour com o maior desafio técnico de pilotagem do calendário UpSerra. Não porque a estrada seja perigosa, mas porque exige presença constante: cada curva pede atenção, cada descida tem sua lógica. É exatamente por isso que é o tour mais recompensador para quem pilota por pilotagem.
O roteiro — o que você roda em 10 dias
Sem detalhar o dia a dia (isso fica no roadbook que a UpSerra entrega antes da viagem), o roteiro conecta os quatro grandes passes em sequência lógica, sem backtrack e sem dias perdidos em autovias.
A rota sai de Munique na direção da Áustria pelo Grossglockner — o pass mais alto da Áustria, a 2.571 metros, com vista para o glaciar Pasterze. Do Grossglockner desce para as Dolomitas italianas, Val Gardena, um dos vales mais fotografados do mundo. Depois vem o Stelvio — o “Rei dos Alpes”, como aparece em toda brochura europeia, e o apelido é merecido. 2.757 metros, 48 curvas numeradas na subida do lado italiano, paisagem de outro planeta.
Da Itália entra na Suíça em direção a Davos, e de Davos começa a sequência suíça: Andermatt como base, Furka (onde foi rodada a cena de abertura do filme GoldenEye da franquia James Bond), Grimsel e Susten em um único dia de maratona alpina. Do lado francês vem Chamonix com o Mont Blanc como pano de fundo — o pico mais alto da Europa Ocidental, 4.808 metros —, depois Interlaken, e de volta pra Munique pelo lado austríaco via Innsbruck.
Não é um roteiro apressado. Cada país tem seu dia, cada pass tem seu espaço. O tour foi pensado para você rodar, não para você cruzar.

O que está incluso — e o que não está
O tour UpSerra Grandes Alpes sai por EUR 13.000 por piloto solo e EUR 15.000 para casal (piloto com garupa). O que está incluso: BMW R1300GS (locação paga pela UpSerra), 10 noites em hotéis alpinos selecionados, café da manhã em todos os hotéis, guiamento do início ao fim, carro de apoio com bagagem e suporte mecânico, e cobertura de foto e vídeo profissional durante toda a expedição.
O que não está incluso: voo internacional, combustível, refeições além do café da manhã, pedágios, caução da moto junto à locadora europeia e seguro viagem internacional. O seguro é obrigatório — contratação por conta de cada piloto antes do embarque.
Além do roteiro e da logística, o que a UpSerra entrega é presença na estrada: suporte técnico se algo der errado, companhia de pilotos que conhecem cada pass do roteiro, e o material de foto e vídeo profissional que vai existir desses dias. Para quem já viajou sozinho no exterior e sabe o quanto energia custa longe de casa, essa conta fecha de outro jeito.
Quando ir — julho é a janela certa
Os grandes passes dos Alpes fecham com neve em geral entre novembro e abril. Em maio já abrem, mas o frio ainda é intenso em altitude e a neve nas bordas da estrada ainda aparece em fotos. Agosto é tecnicamente viável mas é o pico do turismo europeu — hotéis lotam, os passes ficam congestionados, e a sensação de solidão que faz uma rota de montanha ser uma rota de montanha some.
Julho é o equilíbrio: passes abertos e consolidados, dias longos (por volta de 16 horas de luz na Europa Central em julho), temperatura de 18 a 22°C nos vales e entre 8 e 12°C nos passes mais altos. Leve impermeável e uma camada intermediária independente do que a previsão disser. Nos Alpes, o tempo muda rápido.
A saída UpSerra de 2026 acontece de 18 a 28 de julho, com encontro em Munique no dia 17. No momento, essa saída deve ser tratada como tour fechado/lista de espera: quem entrar em contato agora entra para prioridade em eventual vaga remanescente e para as próximas datas europeias.
Checklist prático — o que você precisa saber antes
Documentação: CNH brasileira no modelo novo (com a capa azul escura e o padrão europeu, emitida após 2014) é aceita pela locadora europeia parceira da UpSerra. Não é necessário PID (Permissão Internacional para Dirigir) para esta operação específica. Verifique se sua CNH está dentro do prazo de validade com folga para a data da viagem.
Caução: EUR 2.000 bloqueados no cartão de crédito internacional durante a viagem para a moto. O valor é desbloqueado na devolução sem danos. Tenha limite disponível.
Seguro viagem internacional: não está incluso no tour — é de responsabilidade e contratação de cada piloto. Obrigatório. Contrate com cobertura para atividades de aventura/motociclismo e com carência adequada.
Voos: chegada em Munique até as 14h do dia 17 de julho. Retorno a partir do dia 28. Munique (MUC) tem conexões diretas via Lisboa, Frankfurt e Paris saindo do Brasil.
Equipamento: mesmo em julho, nos passes acima de 2.000 metros a temperatura cai para 8–12°C. Base térmica, camada intermediária e impermeável são obrigatórios. Luvas impermeáveis também.

Se você está pensando em ir
Os Alpes são um daqueles lugares que cabem numa frase e não cabem numa frase ao mesmo tempo. Você pode explicar o Stelvio pra alguém com dados — altitude, número de curvas, comprimento. Mas o que acontece quando você para no topo, desliga a moto por um segundo e escuta o vento é outra coisa.
Eu volto. É o tipo de rota que não termina quando você entrega a moto em Munique.
Se quiser entrar na lista de espera dos Alpes ou ser avisado primeiro sobre a próxima saída europeia, manda um WhatsApp para o Patrick. A conversa continua por lá: (48) 98436-9491.
Ou acesse a página do tour com o roteiro completo, o que está incluso e as datas: upserra.com.br/tour-moto-alpes.
Quer viajar ainda em 2026?
Se a ideia é fazer uma viagem internacional ainda neste ano, olhe também para as saídas que continuam sendo prioridade comercial da UpSerra: Route 66, Carretera Austral, Lagos Andinos e Nova Zelândia. Cada uma pede um tipo de piloto, e a conversa certa começa por entender teu momento.
