O Ojos del Salado é o vulcão ativo mais alto do mundo. 6.893 metros, na fronteira entre Chile e Argentina, no coração do altiplano andino. É segundo cume das Américas, atrás só do Aconcágua — mas, ao contrário do Aconcágua, é vulcão. Tem cratera, tem fumarolas, tem lagunas hidrotermais a quase 7 mil metros.
Pra alpinistas, é objetivo de expedição séria. Pra motociclista que viaja a Atacama, é a paisagem que desfila pela direita ao cruzar o Paso San Francisco. Este post é sobre o segundo grupo — quem rolou pelos altiplanos sul-americanos e quer entender o que está olhando.

O que é o Ojos del Salado
O nome — “olhos do salgado” — vem das duas calderas no cume e dos depósitos salinos da região. Mais alto que o Kilimanjaro, mais alto que qualquer cume da Europa, da África e da América do Norte. Está na província chilena de Copiapó (lado oeste) e na província argentina de Catamarca (lado leste).
É vulcão ativo, mas há séculos sem erupção registrada (a última atividade significativa parece ter sido em torno do ano 1300). Em 2014 foi observado fumarolas — sinal de que não está extinto. Pra motociclista, isso significa nada — paisagem é estável e seca.
Como motociclistas chegam perto — Paso San Francisco
Não dá pra chegar de moto até o cume — pra isso precisa expedição alpinista, equipamento de alta montanha, semanas de aclimatação. Mas dá pra chegar a uns 4.700-4.900 metros, com vista direta pra montanha, atravessando o Paso San Francisco.
O Paso San Francisco é uma das passagens andinas em altitude mais altas que motociclistas comuns atravessam, ligando Tinogasta (Catamarca, Argentina) a Copiapó (Chile). Sobe gradualmente do lado argentino, atravessa lagunas altiplanicas (Laguna Verde, Laguna Negra, Laguna del Diamante são variações vizinhas), passa próximo ao Ojos del Salado e desce em direção a Copiapó.
Trecho-chave do passe:
- Lado argentino — Fiambalá → Las Grutas → Cortaderas → Paso San Francisco. A subida desde Fiambalá, com termas naturais conhecidas, é uma das partes mais marcantes da Atacama argentina.
- Topo — Paso San Francisco a 4.726m. Marco fronteiriço, vista pra montanhas vulcânicas em todas as direções, ar rarefeito de verdade.
- Lado chileno — descendo pra Copiapó. Lagunas, salares, Mano del Desierto, e a cidade base de Copiapó pra reabastecer.

O que esperar — altitude, frio, isolamento
Atravessar o Paso San Francisco não é “uma estrada”. É um exercício de respeito ao corpo e ao terreno.
- Altitude. Subir de 1.500m (Fiambalá) pra 4.700m em meio dia é agressivo. Apunamiento (mal de altitude) é real — dor de cabeça, falta de ar, vontade de vomitar. Aclimatar 1-2 noites a 2.500-3.500m antes de subir o passe é estratégia básica. Pra moto, ainda mais — concentração afetada em altitude vira problema de pilotagem.
- Frio. Mesmo no auge do verão, no topo do passe pode estar abaixo de zero com vento. Roupa de inverno completa é obrigatória, mesmo em janeiro/fevereiro.
- Isolamento. Combustível: postos de gasolina sumam por dezenas de km. Carregue sempre 5-10 litros extras em galão. Comunicação: sem cobertura celular em vastos trechos. Mecânica: oficina mais próxima é em Fiambalá ou Copiapó.
- Carro de apoio. Se for em grupo organizado (recomendado), carro acompanha resolvendo combustível, peças, e suporte em caso de mal-estar. Pra rolê solo, é apostar na mecânica e na sorte.
Quando atravessar
Janela boa: novembro a abril. No inverno argentino-chileno (junho-setembro) o passe pode fechar por neve ou tempestade. Janeiro e fevereiro são meses estáveis mas com risco de tempestade vespertina (raio em altitude é perigoso real). Março e abril são preferidos por motociclistas experientes — clima estável e menos tráfego turístico.
Como entra nas expedições UpSerra
Nas nossas expedições pelo Atacama, o Paso San Francisco e a vista do Ojos del Salado entram em dois produtos que fazem sentido para esse território:
- Expedição Uyuni e Atacama 2027 — 14 dias, expedição completa por Bolívia e Chile, conectando Salar de Uyuni, Atacama e alta montanha andina. É a rota de calendário em que o Ojos del Salado entra como referência natural do altiplano.
- Tour Atacama Fly&Ride 2026 — versão menor, com voo até o ponto de início pra otimizar tempo e focar na experiência altiplanica. Boa pra quem tem agenda apertada mas quer rodar a parte cinematográfica do altiplano.

Em ambos, a UpSerra opera com BMW R 1300GS, carro de apoio com combustível extra e suporte mecânico, guia experiente que conhece o passe e os abrigos altiplánicos, e logística de hospedagem em altitudes intermediárias pra aclimatação. Não é tour pra quem nunca rodou — exige rider com base.
Por que vale o esforço
Em superfície, o Ojos del Salado é só “mais um vulcão” pra quem nunca esteve. Ver de perto muda a percepção. A escala do altiplano andino é diferente de qualquer outra paisagem. Em altitude de 4.500m+, o céu fica de um azul mais escuro porque a atmosfera é mais fina. As lagunas refletem o cone do vulcão como espelho. O silêncio é diferente — ar rarefeito carrega som de outro jeito.
Quem rolou o Paso San Francisco volta com referências de paisagem que mudam o que você considera “lugar bonito” pelo resto da vida. É o tipo de viagem que estabelece um novo padrão.
Antes de planejar
- Confirme com seu cardiologista se você tem indicação pra altitude (4.700m). Hipertensão não controlada e algumas condições cardíacas são contra-indicação.
- Diamox (acetazolamida) ajuda na aclimatação. Discuta com seu médico antes de viajar.
- Suba aos poucos. Dormir 1-2 noites a 2.500-3.500m antes de fazer o passe é regra básica.
- Hidrate além do normal — ar seco e altitude desidratam. Mínimo 3-4 litros de água/dia em altitude alta.
- Coca de mascar (folha de coca andina) é tradição local pra mal de altitude. Não é magia — mas alivia sintomas leves.
Atravessa o altiplano com a UpSerra
Pra montar uma expedição pelo Atacama, fechar vaga em algum dos tours 2026 ou conversar sobre customizar uma rota privada (UpSerra Exclusive):
Ojos del Salado, Paso San Francisco, altiplano. Do nosso traçado há 6 anos.
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