Tem um momento que todo motociclista vive na primeira viagem internacional: você para no primeiro posto, olha as bombas e não reconhece nada. Números diferentes, nomes diferentes, e aquela dúvida incômoda — será que vou estragar a moto se abastecer errado?
A boa notícia vem antes de qualquer tabela: a BMW GS vendida no Brasil foi calibrada para rodar com gasolina comum (em torno de 91 RON, ainda por cima com uma carga alta de etanol). Isso significa que, na imensa maioria dos trechos lá fora, o equivalente à nossa comum resolve. Você quase nunca vai precisar caçar premium.
O que realmente confunde não é a moto — é o rótulo da bomba. Cada país usa um nome e, pior, às vezes uma escala de octanagem diferente. Vamos desfazer isso.

RON x AKI: por que o mesmo combustível tem números diferentes
Octanagem é a resistência da gasolina à detonação. O problema é que existem duas formas de medir e mostrar esse número:
- RON (Research Octane Number): a escala usada na Europa e na maior parte da América do Sul. Números mais altos.
- AKI / IAD (a média entre RON e MON): a escala usada nos Estados Unidos e também no Brasil. Números mais baixos para o mesmo combustível.
A diferença entre as duas é de cerca de 4 a 6 pontos. Ou seja: uma gasolina “87” na escala americana é mais ou menos uma “91-92” na escala europeia. É o mesmo combustível, só medido de outro jeito. Guarde isso — é o que evita o erro mais comum (e mais caro) lá fora.
Estados Unidos: não se assuste com o “87”
Nos EUA as bombas mostram, em geral, 87 (Regular), 89 (Mid-grade) e 91-93 (Premium) — tudo na escala AKI. Quando o brasileiro vê “87”, o instinto é achar que é gasolina ruim e correr pra premium. Não é.
Aquele 87 equivale a aproximadamente 91-92 RON, que é justamente a faixa da nossa gasolina comum. Para a GS, Regular 87 está de bom tamanho na esmagadora maioria das situações. O etanol costuma ser E10 (10%), bem abaixo do nosso.
Europa: “Sin Plomo 95” é o padrão
Na Europa a escala é RON. O combustível padrão é o 95 (“Sin Plomo 95” na Espanha, “Euro 95”, “Super” em alguns países), e existe o 98 (Super Plus / V-Power) para quem quer o topo. Para a GS, o 95 sobra — o 98 é opcional. Etanol normalmente E5 ou E10.
Argentina: procure “Nafta Súper”
Primeiro detalhe: na Argentina gasolina se chama nafta. O combustível comum é a “Nafta Súper” (95 RON), e as premium (YPF Infinia, Shell V-Power) ficam entre 97 e 98. Para a GS, a Súper resolve.
Chile: aqui é “bencina”
No Chile muda até o nome do produto: gasolina é bencina. As opções são 93, 95 e 97. A 93 já atende; a 95 dá uma folga. Mesma lógica de sempre — você não precisa do topo da bomba.
Peru: Regular ou Premium
O Peru reorganizou os combustíveis e hoje trabalha basicamente com “Regular” (equivalente a ~91) e “Premium” (~96). A Regular atende a GS; a Premium fica como paz de espírito. Em regiões mais remotas ainda aparecem as antigas 84 e 90 — vale evitar a 84 quando houver opção melhor.
E o etanol?
Aqui o Brasil é o extremo, não o contrário. Nossa gasolina carrega cerca de 27% de etanol — mais do que praticamente todos os destinos citados. Lá fora a mistura é menor (E10 nos EUA, E5/E10 na Europa). Então, se a sua moto roda feliz no Brasil, ela não vai sofrer com uma gasolina menos alcoolizada lá fora.
| País | Como pedir | O que abastecer na GS |
|---|---|---|
| Estados Unidos | gas / unleaded | Regular 87 (≈ 91-92 RON) |
| Europa | sin plomo / super | 95 (98 opcional) |
| Argentina | nafta | Nafta Súper 95 |
| Chile | bencina | 93 ou 95 |
| Peru | gasolina | Regular ~91 (evite a 84) |
A regra prática pra não errar em nenhum posto
- Comum/Regular quase sempre resolve. A GS brasileira foi feita pra isso.
- Número baixo nem sempre é gasolina ruim — confira se o país usa AKI (EUA, Brasil) ou RON (Europa, Argentina, Chile, Peru).
- Na dúvida, suba um nível, não dois. Premium raramente é necessário; pagar pela mais cara “por garantia” é dinheiro jogado fora.
- Aprenda o nome local: nafta (Argentina), bencina (Chile), unleaded/gas (EUA), gasolina (Peru), sin plomo (Espanha).
- Evite os extremos remotos (tipo 84 octanas) quando houver opção melhor na estrada.
Onde a UpSerra entra
Esse é exatamente o tipo de detalhe que a gente já resolve antes de você pisar no acelerador. Em cada expedição, o combustível certo de cada trecho já está mapeado no roteiro — qual posto, qual produto, o que evitar. Você não precisa decorar tabela de octanagem: é só abastecer e seguir.
Mais que estradas, a gente cuida do que faz a viagem fluir.
Se quiser conversar sobre as próximas expedições — veja o calendário UpSerra 2026 — ou tirar qualquer dúvida, manda um WhatsApp pro Patrick: (48) 98436-9491.
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