
A primeira vez que rodei a Rota 7 Lagos foi num fim de tarde. Eu vinha de Villa La Angostura, sozinho na frente do grupo por uns dez minutos, e o sol já caía baixo entre os pinheiros. Cada curva abria pra um lago diferente. Não dava pra parar em todos — paguei o preço de ter chegado tarde — então decidi não parar em nenhum. Só rodei devagar e olhei.
Isso continua sendo, anos depois, uma das memórias mais nítidas que eu tenho de moto. Não o lago em si. A sequência. O ritmo de descobrir um por um, sem pressa de fotografar, sem cerimônia de chegada. A Patagônia Norte tem essa coisa: ela não impressiona de uma vez. Ela mostra aos poucos.
Este post é sobre o tour que conecta essa região inteira — Bariloche, Pucón, Puerto Varas, o sul argentino — num roteiro de 15 dias saindo de Urubici. O que está nele, quanto custa, quando ir e o que você precisa saber antes.
O que são os Lagos Andinos — e por que esse roteiro é diferente
Lagos Andinos é como a gente chama o cordão de lagos e vulcões que corre nas duas vertentes da cordilheira entre o sul do Chile e o sul da Argentina. No lado argentino fica o Nahuel Huapi e a região de Bariloche; no lado chileno, o Llanquihue com o vulcão Osorno e o Villarrica em Pucón. Tudo conectado por uma rede de estradas que atravessa a cordilheira em quatro pontos.
O tour UpSerra cobre 6.692 km em 15 dias, passando por Brasil, Argentina e Chile, com quatro travessias de fronteira. A saída e a chegada são de Urubici. Diferente dos tours europeus, aqui você não voa pra pegar a moto — você sai com a sua e roda. Isso muda a relação com a viagem: a Patagônia começa no portão de casa.
É o único tour internacional do calendário UpSerra classificado como Fácil. Tem motivo. As estradas são todas asfaltadas, sem trechos de ripio obrigatório, com hospedagem em cidade real todos os dias e três dias livres no roteiro pra você respirar. É o tour que a gente recomenda pra quem ainda não atravessou a fronteira de moto mas quer fazer Patagônia.
O roteiro — do Brasil aos vulcões chilenos e de volta
Os primeiros quatro dias são travessia. Urubici, Santo Tomé, Campana (já na Argentina), Santa Rosa, Neuquén. São dias longos — entre 500 e 800 km — mas em estrada boa, com paisagem que vai mudando devagar do verde catarinense pra estepe pampeana. É o tipo de etapa que faz parte do roteiro: você não chega na Patagônia de avião, você chega rodando.
No quinto dia o tour entra na Patagônia de verdade, na rota dos Sete Lagos, entre Neuquén e Villa La Angostura. São 479 km que conectam sete lagos andinos em sequência, com o cenário mudando a cada curva. No sexto dia, dia livre em Villa La Angostura — uma cidade pequena no meio da floresta, com cafés bons e o lago Nahuel Huapi de pano de fundo.
Do sétimo ao nono dia, o tour cruza a cordilheira pro Chile. Pucón com o vulcão Villarrica fumando no horizonte. Puerto Varas com o vulcão Osorno na outra margem do lago. Dia livre em Puerto Varas pra quem quiser subir o Osorno, fazer caiaque no Llanquihue ou só ficar parado com vista pra água. Em novembro a região está em plena primavera austral.
Do décimo dia em diante, volta pelo lado argentino — Bariloche, dia livre no Cerro Catedral, depois Neuquén, Santa Rosa, Campana, Santo Tomé e Urubici. O retorno é mais reto: você já viu o que veio pra ver, e o quilômetro passa diferente.

O que está incluso — e o que não está
O tour tem três modalidades de hospedagem, e cada uma com a opção de incluir uma BMW R1300GS UpSerra (pra quem não quer ir com a moto própria).
Solo em quarto compartilhado: R$ 18.000 sem moto, R$ 26.000 com moto inclusa. Solo em quarto individual: R$ 24.000 sem moto, R$ 32.000 com moto. Casal em quarto duplo: R$ 30.000 sem moto, R$ 39.000 com moto. O adicional da BMW é R$ 8.000 em todas as modalidades.
Incluso em todas: 14 noites em hotéis selecionados (cidade real, não estrada), café da manhã todos os dias, guiamento do início ao fim, carro de apoio com bagagem e suporte mecânico, e cobertura de foto e vídeo profissional durante toda a expedição.
Não incluso: combustível, refeições além do café da manhã, pedágios, seguro Carta Verde para Argentina e Chile (obrigatório para a moto), seguro viagem internacional (obrigatório para o piloto) e despesas pessoais.
O que o tour entrega além do roteiro é o que sempre é: presença na estrada. Suporte se algo der errado, companhia de quem conhece cada cidade, e o material visual que vai existir desses dias. Em viagem internacional longa, isso muda a conta de outro jeito.
Quando ir — novembro é a janela ideal
A Patagônia Norte tem janela curta. O inverno austral fecha estradas em altitude e cobre tudo de neve. O verão é alto turismo, com hotéis cheios e movimento nas rotas. Novembro é o meio do caminho — primavera consolidada nos dois lados da cordilheira, dias longos, neve só em altitudes acima dos 2.000 metros (que não estão no roteiro), e movimento turístico ainda baixo nas cidades chilenas.
Em novembro, as flores estão abertas, os vulcões ficam visíveis sem nuvem com frequência, e o clima fica entre 12 e 22 graus nas cidades baixas. Em altitude e nas travessias, ainda pode cair pra perto de zero à noite. Leve impermeável e camada intermediária independente do que a previsão disser.
A saída UpSerra é 14 a 28 de novembro de 2026, com encontro em Urubici no dia 13.
Checklist prático — o que você precisa saber antes
Documentação: RG dentro da validade (com foto recente — a fronteira chilena costuma olhar com atenção) ou passaporte para Argentina e Chile. CNH brasileira é aceita nos dois países. Mercosul não exige PID.
Moto e habilitação: CRLV original. Recomenda-se uma autorização de viagem com firma reconhecida se a moto está em nome de terceiro ou financiada. Carta Verde (seguro internacional obrigatório para Argentina e Chile) — contrate antes de sair.
Seguro viagem internacional: não está incluso no tour. Obrigatório. Contrate com cobertura para motociclismo e atividades de aventura.
Câmbio: Argentina trabalha hoje com dólar oficial estabilizado e o sistema bancário aceita cartão internacional sem maiores dificuldades, mas leve dinheiro em espécie para situações pontuais. Chile usa peso chileno; cartão internacional funciona bem em quase todo lugar.
Combustível: nos trechos longos da estepe argentina, abasteça em toda cidade que aparecer. Distâncias entre postos podem ser grandes.
Equipamento: mesmo em novembro, nas travessias de cordilheira a temperatura pode cair muito. Capa de chuva, base térmica, luvas impermeáveis e camada intermediária são obrigatórios.

Se você está pensando em ir
Tem uma diferença entre fazer uma viagem internacional de moto e fazer Patagônia. A maioria dos pilotos brasileiros que cruza a fronteira pela primeira vez escolhe Argentina, faz uma volta curta, volta. Patagônia exige outra coisa. Não é mais difícil tecnicamente — esse tour é Fácil. Mas é mais longa, mais distante e tem uma escala que muda a cabeça de quem nunca esteve no sul.
Os lagos andinos não são paisagem de cartão postal. São lugares que você atravessa devagar, em sequência, com fronteira no meio. Você sai de Urubici num domingo e duas semanas depois está olhando o vulcão Osorno do lago Llanquihue. É um percurso, não um destino. E muda alguma coisa.
Se quiser entender se é pra você — a experiência necessária, os detalhes do roteiro, como funciona pra quem leva a moto e pra quem aluga — manda um WhatsApp pro Patrick. A conversa continua por lá: (48) 98436-9491.
Roteiro completo, o que está incluso e as datas na página do tour: upserra.com.br/tour-lagos-andinos-2026.
Se a saída de Urubici não couber na sua agenda mas a região couber, existe a versão Lagos & Vulcões Fly&Ride — mesma paisagem, com voo direto pra Santiago e a moto entregue lá.
