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  • Motos da expedicao UpSerra em Prudhoe Bay, no Artico do Alasca, dia 61

    Nove motos saíram de Urubici. Sete voltaram. Duas ainda estão na estrada.

    Esse é o primeiro número da Expedição Alasca 2026, e é o que menos aparece em material de viagem: o que uma expedição de verdade deixa em aberto quando termina. O resto dos números está abaixo, e nenhum deles é projeção. É o que aconteceu.

    Os números, sem arredondar para cima

    65 dias até o Círculo Polar Ártico. O plano eram 60 até Anchorage.

    Desses 65, foram 55 dias em cima da moto e 10 de parada. Não foram 10 dias de descanso: foram fronteira, manutenção, logística, espera. A mais demorada foi a Nicarágua, seis horas.

    25.000 quilômetros. 385 horas de sela. A divisão dá ≈455 km por dia nos dias em que se pilotou, e ≈65 km/h de média. Esse é o número que mais desmonta expectativa: 65 km/h. Não é velocidade de rodovia. É velocidade de expedição — estrada mista, altitude, fronteira, chuva, ripio.

    14 países. Altitude máxima da travessia: 4.728 metros. Dia mais longo: Zacatecas a Chihuahua, 832 km.

    Dois jogos de pneu por moto.

    Os 14 países, em ordem

    Brasil, Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, México, Estados Unidos e Canadá.

    Escrita assim, a lista parece uma linha reta subindo o mapa. Não é. O grupo desceu antes de subir, cruzou o altiplano, atravessou a América Central inteira e só então entrou no deserto americano.

    Os Estados Unidos aparecem uma vez na lista e foram atravessados duas. O Alasca é americano, mas só se chega nele pelo Canadá.

    Entre a saída de Urubici e a placa de boas-vindas do Alasca passaram 58 dias. Prudhoe Bay, no Ártico, veio no dia 61.

    Placa Welcome to Alaska na chegada ao estado, dia 58 da expedicao

    O buraco no mapa

    Não existe estrada entre a Colômbia e o Panamá. O Darién é floresta fechada, e a Panamericana simplesmente para ali.

    Quem atravessa o continente de moto resolve isso de um jeito só: tira a moto do chão e embarca. Foi o que a expedição fez. Do outro lado estava o Canal do Panamá, e a América Central começando.

    Canal do Panama no dia 28 da expedicao

    O que os 65 km/h escondem

    Sessenta e cinco por hora parece pouco para quem mede estrada por rodovia. É o número honesto de uma expedição, e ele carrega coisas.

    Carrega 4.728 metros no ponto mais alto da travessia, onde a moto perde força e o corpo perde fôlego.

    Carrega seis horas paradas na fronteira da Nicarágua, a mais demorada de todas.

    Carrega o dia mais longo da viagem, de Zacatecas a Chihuahua: 832 quilômetros em uma jornada só.

    E carrega calor. No deserto, o painel marcou 43 graus.

    Painel da moto marcando 43 graus no deserto, dia 46

    O quilômetro zero

    No dia 56 a expedição passou pelo marco do quilômetro zero da Alaska Highway. Dali até a placa de boas-vindas do Alasca foram mais dois dias.

    Entre um ponto e outro o diário da viagem registra um urso no dia 55 e bisões no dia 57. Não é paisagem de cartão-postal: é o que aparece na pista.

    Marco do quilometro zero da Alaska Highway, dia 56 da expedicao

    Dez dias que não foram descanso

    Os 65 dias de calendário dão uma média de 385 quilômetros por dia. Os 55 dias de pilotagem dão 455. A diferença entre os dois números é o que ninguém filma.

    São dez dias de fronteira, oficina, logística e espera. Manutenção em expedição não acontece depois da viagem. Acontece no meio dela, com o grupo parado, esperando.

    O que custou

    Frete: R$ 233.573 no total, o que dá R$ 33.367,57 por moto — e isso já inclui o retorno das motos ao Brasil e a transferência Colômbia→Panamá, porque não existe estrada no Darién.

    Gasolina: R$ 11.000 por moto, ou R$ 0,44 por quilômetro.

    O fechamento

    Uma expedição não acaba quando o grupo chega. Acaba quando a última moto volta — e duas ainda não voltaram.